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9 de agosto de 2016

Desrespeitosa ou torcida de verdade? ‘Olimpíada das vaias’ repercute na mídia e redes sociais no exterior

Se no começo da Copa do Mundo de 2014 o assunto foi a performance tímida da torcida brasileira, o comportamento do público de casa ganhou destaque no primeiro final de semana da Olimpíada do Rio pelo motivo oposto.
Imprensa internacional e publicações nas redes sociais destacaram momentos nos primeiros dias de competição em que os fãs locais "estão tratando esportes olímpicos como se estivessem em um Flamengo x Fluminense", como descreveu um texto da agência de notícias Reuters.
Seja na prática comum no Brasil de incentivar azarões, no grito já consagrado de "ôôô Zika" para Hope Solo, goleira da seleção feminina de futebol dos EUA, ou nas vaias contra rivais brasileiras no vôlei de praia, a torcida entrou com tudo no debate.
"Fãs estridentes brasileiros se fazem de surdos para o espírito olímpico", foi o título do texto da Reuters, assinado por dois repórteres no Rio de Janeiro e distribuído para todo o mundo.
"No boxe, judô, esgrima ou até no tênis, os torcedores brasileiros estão tratando muitos esportes olímpicos como se estivessem em um Flamengo x Fluminense, uma rivalidade do Rio onde paixões, além de cusparadas e eventualmente socos, costumam voar alto", escrevem os repórteres.
O texto associa o comportamento nas arenas à cultura esportiva do Brasil - "em grande parte definida pelo sucesso do país no futebol no passado e dominada por uma atitude muitas vezes ultranacionalista contra quem não veste o amarelo local" - e também pelo perfil socioeconômico do público pagante.
"Em um evento como as Olimpíadas, onde os pagantes vêm principalmente de uma classe média alta e rica acostumada a ser mimada, as 'batidas no peito' (dos torcedores) podem ser bem chocantes, até para muitos fãs locais", completa.
Para Matt Gatward, correspondente do jornal britânico The Independent, a torcida exagerou ao vaiar o tenista alemão Dustin Brown, que teve que abandonar a partida contra o brasileiro Thomas Belucci após torcer um tornozelo.
"Os fãs brasileiros nesses Jogos do Rio são uma turma bem patriótica, apenas felizes demais por apoiarem seus atletas. Não há mal nisso. Essa é a vantagem de competir em casa. Mas isso quase foi um pouco além no domingo, quando o público na quadra central de tênis vaiou o alemão Dustin Brown, que tinha caído e torcido um tornozelo, o que acabou o levando ao hospital", escreveu.
Em um texto sobre o comportamento da torcida brasileira durante a competição de vôlei de praia, a revista americana Time questionou: "Será que os locais estão levando seu amor pelo esporte muito longe?".
A publicação citou o jogo de estreia das brasileiras Agatha e Bárbara, atuais campeãs mundiais. Após a derrota, as tchecas Hermannova e Slukova reclamaram das vaias que vinham das arquibancadas, a despeito dos pedidos do narrador oficial por moderação.
Infelizmente querem que a torcida brasileira se comporte de acordo com o bolso dos frequentadores de Olimpíadas, ou seja, querem elitizar uma coisa que é natural e intrínseco ao torcedor tupiniquim. Até porque, confusões e violência existe em qualquer parte do mundo, vejam o caso das torcidas organizadas na Turquia, na Inglaterra, França, enfim, ao redor do mundo e agora, querem que as coisas sejam como uma platéia de tênis em winbledon, então, isso não existe.
Logicamente que não concordo com violência e muito menos com discriminações, e isso é o que estão querendo fazer, discriminar a torcida brasileira. Deviam olhar para sua barriga e pensar com seus botões e deixar que as coisas fluam em sua normalidade, pois, o que não gostaremos de ver em nosso País, são atos de terrorismo, no mais, o resto deve ser só festa e PARABÉNS a torcida brasileira.

16 de outubro de 2014

Custo de reforma do Engenhão já está em R$ 100 milhões

O custo da reforma do Engenhão, cujo fechamento, desde 26 de março de 2013, torna cada vez mais dramático o calvário financeiro do Botafogo, já chegou a R$ 100 milhões. O valor corresponde a quase um terço do preço da construção do estádio. E a conta, mais uma vez, pode cair no colo do contribuinte. A previsão da prefeitura do Rio para a reabertura do estádio é “fim de novembro”. Mas não há garantia desse prazo.
Apesar de ter afirmado que não pagaria pela reforma da cobertura, que corria risco de cair, a prefeitura ainda pode ser obrigada a arcar com os gastos. Isso porque a recuperação do Engenhão, sede do atletismo nos Jogos de 2016, é alvo de brigas na Justiça.
Numa ação, as empresas responsáveis pela construção e pela reforma trocam acusações sobre a responsabilidade por supostos erros de projeto. Já o Botafogo, arrendatário do estádio, vai buscar ser ressarcido dos prejuízos causados pelo fechamento. A direção do clube diz que vai entrar com processo contra a prefeitura em novembro.
O Engenhão custou R$ 360 milhões e terá preço final, após a obra de agora, de R$ 460 milhões. O valor é bem superior ao que constava do contrato inicial, de R$ 87 milhões. Por enquanto, a reforma é paga pelo Consórcio Engenhão, formado pela Odebrecht e pela OAS. As duas empreiteiras assumiram a construção do estádio depois que o consórcio anterior, liderado pela Delta, abandonou a obra.
Odebrecht e OAS assinaram contrato emergencial para assumir a construção no dia 6 de março de 2007, a três meses da inauguração do estádio. O contrato dizia que possíveis responsabilidades por erros de projeto ou problemas com materiais comprados antes daquela data seriam da “contratante” — ou seja, da prefeitura. Porém, passados os cinco anos de garantia da obra, a prefeitura se recusou a pagar.
No dia 28 junho de 2013, o prefeito Eduardo Paes e o presidente da Empresa Municipal de Urbanização (RioUrbe), Armando Queiroga, assinaram termo de entendimento com os representantes do Consórcio Engenhão, no qual admitiam que os problemas na cobertura tinham sido causados por erros do projeto encomendado pela Delta e suas parceiras. Com isso, eximiram OAS e Odebrecht da responsabilidade pelo pagamento da reforma.
Como as duas empreiteiras continuaram bancando a recuperação estrutural, a prefeitura deu a elas o direito de cobrar na Justiça das empresas que compunham o primeiro consórcio (além da Delta, a Racional e a Recoma). O contrato que isenta a prefeitura de pagamento e dá às empreiteiras o direito de cobrar o valor na Justiça está sob análise do Tribunal de Contas do Município desde dezembro de 2013.
Jogo de empurra
Já corre no Tribunal de Justiça do Rio processo em que OAS e Odebrech cobram da Racional, da Delta e da Recoma a conta de R$ 100 milhões. A Racional obteve liminar para acompanhar o reforço na cobertura e, assim, aferir os gastos. A juíza Adriana Therezinha de Carvalho, que assina a liminar, nomeou um perito para acompanhar as intervenções.
A partir daí, começou um jogo de empurra. A Racional garante que o erro na cobertura não foi de projeto, mas na execução da parte da obra cuja responsabilidade coube à OAS e à Odebrecht. As duas, porém, evocam relatório da empresa alemã SBP, que apontou “risco de colapso da cobertura em ventos superiores a 70km/h”, por suposto “erro de cálculo”, portanto, de projeto. Se o Consórcio Engenhão perder a ação, ou não receber da Racional, da Delta e da Recoma (duas delas, Delta e Recoma, enfrentam dificuldades financeiras), voltará a ter direito de cobrar da prefeitura os R$ 100 milhões da reforma.
Não bastassem as brigas na Justiça, há, no canteiro de obras, rumores de que fundações do Engenhão estariam em más condições e precisariam de reforço. Essa preocupação foi investigada por engenheiros da obra, e não teria sido constatado problema. A prefeitura também negou existir orientação para monitorar qualquer outra estrutura do estádio, além da cobertura.
Segundo a assessoria do prefeito, depois da reforma da cobertura, as únicas intervenções programadas são a instalação de 15 mil lugares para as Olimpíadas de 2016 e a troca da pista de atletismo. É provável que o estádio não precise ser fechado novamente para isso.
Enquanto isso, o torcedor do Botafogo, que sofre com as crises no campo e na política interna do clube, segue sem seu estádio. Na vice-lanterna do Campeonato Brasileiro, o time volta a campo domingo, para receber o Sport, às 18h30m. Desta vez, nem no Maracanã será. Para evitar penhoras na renda pelos credores, o jogo será em Volta Redonda.