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1 de junho de 2015

Cartolas teriam usado paraísos fiscais para distribuir propinas

Dirigentes da Confederação Brasileira Futebol (CBF)teriam usado empresas e contas em paraísos fiscais para distribuir propinas de contratos comerciais. É o que apontam uma série de documentos, contratos e e-mails obtidos pelo Estado. Os papéis revelam como, supostamente, empresas no exterior eram propostas como forma de fechar acordos e, ao mesmo tempo, garantir um canal de pagamento para propinas. Uma delas é a ISE, empresa de fachada criada por investidores árabes da gigante DAG nas ilhas Cayman e que conta apenas como uma caixa postal. 
Contratos para a realização dos amistosos do Brasil até 2022 foram fechados com a empresa e a CBF, em nota, afirmou que não tinha o poder de definir onde a parceira deve ter sua sede. Segundo um informe da consultoria KPMG, a ISE ainda teria sido responsável por pagamentos de propinas a Mohamed Bin Hammam, o ex-vice-presidente da FIFA e que tentou derrubar Blatter do poder na entidade. Bin Hammam também era um aliado de Teixeira. Sede da CBF: ex-presidentes da entidade estão envolvidos no escândalo Fábio Motta/Estadão
Um dos contratos obtido pelo Estado mostra a forma pela qual parte da renda dos amistosos eram supostamente desviadas. A ISE fechou um acordo para negociar 24 amistosos com a empresa Uptrend Development LLC, com sede em Nova Jersey, nos EUA. Em nome da empresa nos Estados Unidos, a assinatura é de Alexandre R. Feliu, o nome oficial de Sandro Rosell Feliu, ex-presidente do Barcelona, ex-representante da Nike no Brasil e indiciado por crimes fiscais na Espanha. A empresa americana de Rosell também era de fachada e não tinha sequer funcionários ou sede. 

A partir de cada jogo, eram repassados para a ISE como lucros da partida cerca de US$ 1,6 milhão (R$ 5 milhões). Desse total, US$ 1,1 milhão (R$ 3,5 milhões) seguia para a CBF como pagamento pelo cachê. Mas o restante não era contabilizado para a entidade. Os papéis mostram que US$ 450 mil (R$ 1,4 bilhão) seriam encaminhados para contas nos EUA, em uma empresa de propriedade de Rosell, aliado de Ricardo Teixeira em dezenas de projetos comerciais.

No total, o contrato aponta que, por 24 jogos, o valor previsto para o pagamento seria de 8,3 milhões de euros (US$ 10,9 milhões) para a empresa nos EUA. Dividido por 24 jogos, esse valor seria de US$ 450 mil.

A Nike e Teixeira também estão no foco do Departamento de Justiça dos EUA, que apontam para um pagamento em uma conta na Suíça de US$ 40 milhões (R$ 127 milhões). No indiciamento dos dirigentes, documento insinua que um cartola do alto comando da CBF e membro do Comitê Executivo da FIFA estaria envolvido em uma negociação com uma empresa de roupas esportivas dos EUA. 

Essa condição seria preenchida apenas por Teixeira nos anos 90 e até 2012. No caso da empresa, ela seria a Nike. Em nota a Nike, a empresa afirma que está ajudando as autoridades. “Como todos os nossos fãs ao redor do mundo, nós somos apaixonados pelo jogo e estamos preocupados com essas acusações muito sérias. A Nike acredita fortemente em ética e fair play tanto nos negócios como no esporte, e repudia fortemente toda e qualquer forma de manipulação ou propina. Nós já estamos cooperando, e seguiremos cooperando, com as autoridades."

MÔNACO Gravações ainda mostram que Ricardo Teixeira manteve contas secretas em Mônaco, avaliadas em R$ 100 milhões. A informação foi revelada pelo jornal eletrônico francês Mediapart, como parte de uma investigação conduzida sobre o banco Pache, uma filial do grupo Credit Mutuel.

O caso estaria sendo investigado pelas autoridades monegascas por lavagem de dinheiro, num processo conduzido pelo juiz Pierre Kuentz. Em gravações realizadas pela Justiça, o nome de Teixeira é citado pelo diretor do banco, Jürg Schmid.“Nós, no banco Pasche, devemos provavelmente aceitar clientes que outros bancos certamente não aceitariam”, disse em Schmid em uma gravação. 

Ele explicaria de forma mais precisa sua declaração. “Eu tenho um, o ‘grande brasileiro’ ”, afirma, se referindo a Teixeira. “Eu sei muito bem que nenhum outro banco de Mônaco queria abrir uma conta dele”, disse. “Nos fizemos tudo, já que temos a declaração de imposto e a declaração dos tribunais que dizem que ele não foi condenado”, declarou. “Evidentemente, ele é conhecido, mundialmente conhecido”, afirmou. 

O banqueiro chegou a dar explicações sobre a origem do dinheiro. “Sabemos que ele recebeu dinheiro em troca de favores, mas não são políticos”, disse. “Decidimos juntos que nós o receberíamos porque ele nos traz 30 milhões de euros e isso não é pouco”, finaliza Schmid nas gravações. Teixeira teria feito diversas viagens até Mônaco e se hospedando no luxuoso hotel Metropole.

As coisas estão começando a serem mostradas e não demora muito o presidente da FIFA, terá seu nome atrelado a estas irregularidades. Alias, sobre o Ricardo Teixeira, ele movimentou quase meio milhão de reais por ocasião da copa do Mundo no Brasil, mesmo depois de ter renunciado (tendo deixado seu parceiro no comando da CBF), esse negócio de bater prego em estopa não esta no script dele.

26 de fevereiro de 2015


Times europeus irão pedir compensação se a FIFA decidir realizar a Copa do Mundo de 2022, no Catar, em novembro e dezembro, e as ligas da Europa disseram que essa alteração de calendário causaria "um grande dano" ao futebol em seus países.

Enquanto isso, a Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FIFPro, na sigla em francês) declarou que qualquer discussão sobre um encurtamento do torneio deve incluir seus membros e que continua igualmente preocupada com a questão dos direitos humanos na nação do Golfo Pérsico.

Uma força-tarefa da FIFA que examina datas para a Copa recomendou uma competição mais curta, realizada nos meses mais frescos de novembro e dezembro de 2022, após a última de suas três reuniões em Doha nesta terça-feira.

A recomendação será encaminhada para o comitê-executivo da FIFA para uma decisão definitiva em Zurique no dia 20 de março, pondo fim a uma saga de quatro anos a respeito do período adequada para o Mundial.

"Para a família do futebol, o reagendamento da Copa do Mundo da FIFA de 2022 apresenta uma tarefa difícil e desafiadora", disse Karl-Heinz Rummenigge, presidente da Assocção de Clubes Europeus (ECA, na sigla em inglês), em um comunicado.

"Todos os calendários de partidas do mundo terão que acomodar tal torneio em 2022/23, o que exige que todos estejam dispostos a ceder".

"Não se pode esperar que os clubes e as ligas da Europa arquem com os custos de tal reagendamento. Esperamos que os clubes sejam compensados pelo dano que uma decisão final causaria".

A Associação de Ligas Profissionais de Futebol Europeias (EPFL, na sigla em inglês) também discordou do evento em novembro e dezembro, afirmando que a proposta iria "perturbar e causar um grande dano ao andamento normal das competições nacionais europeias".

A EPFL reiterou que escolher maio seria uma opção mais branda para evitar o calor sufocante de junho e julho, período que foi descartado apesar de o Catar ter garantido que conseguirá erguer estádios naturalmente frescos.

O executivo-chefe do Campeonato Inglês, Richard Scudamore, disse ter havido pouco discussão no encontro desta terça-feira.

"Praticamente nos comunicaram, daí a decepção", afirmou.

A liga alemã declarou estar preocupada com os jogadores.

"Realizar a Copa do Mundo em novembro e dezembro é um fardo organisacional, assim como financeiro, para as ligas europeias", disse seu diretor-gerente, Andreas Rettig.

(Por Mike Collett, em Londres, e Karolos Grohmann, em Berlim)

Reuters

5 de outubro de 2013

FIFA INVESTIGA ESCOLHA DE RÚSSIA E QATAR PARA SEDIAREM AS COPAS DE 2018 E 2022


Como parte de uma investigação sobre a escolha de Rússia e Qatar para sediar as Copas do Mundo de 2018 e 2022, o investigador chefe do Comitê de Ética da FIFA, Michael Garcia, está pronto para iniciar uma ‘turnê’ por todos os países envolvidos nos processos de licitação dos dois eventos.
A revista France Football publicou que Garcia vai começar sua viagem em Londres, em 9 de outubro. Ao lado de Bélgica, Holanda, Portugal e Espanha, a Inglaterra saiu perdedora da licitação que escolheu a Rússia como sede da Copa de 2018. Para sediar o torneio de 2022, o Qatar derrotou a Austrália, o Japão, a Coréia do Sul e os Estados Unidos. Em março, Garcia pediu para que aqueles que tivessem evidências de ilegalidade na escolha das sedes se apresentassem, acrescentando que suas identidades poderiam ser mantidas sob sigilo. Tudo indica que Garcia já conversou com pessoas envolvidas no processo de licitação dos torneios, mas agora está determinado a se aprofundar nas investigações.
“Vou continuar com as entrevistas em lugares diferentes e espero que aqueles que possuem informações, mesmo que não tenham obrigação de fornecê-las, aceitem falar comigo.” afirmou Garcia, de acordo com a France Football. “Há aqueles que me deram informações voluntariamente porque eles querem que o inquérito progrida. Outros são obrigados a cooperar por causa de seu papel na candidatura ou sua função oficial no futebol. Meu objetivo é entregar um relatório que cubra o processo de licitação e a atribuição dos torneios.”
No mês passado a FIFA esteve sob uma pressão maior em relação a Copa do Mundo de 2022 no Qatar. A Federação Australiana de Futebol (FFA) pediu uma compensação financeira aos países que participaram da licitação do torneio caso o torneio seja transferido para o período de inverno.
O pedido da FFA veio após o membro dos Estados Unidos no Comitê Executivo da FIFA, Sunil Gulati, afirmar que ele está pronto para “chacoalhar o barco” e exigir mais tempo antes de tomar uma decisão. Gulati liderou a candidatura americana que perdeu para o Qatar.
O Comitê Executivo da FIFA tem uma reunião programada para os dias 3 e 4 de outubro para discutir, em princípio, se concordam com a mudança do Mundial do Qatar para o inverno. O Presidente da FIFA Joseph Blatter afirmou no mês passado que os políticos europeus colocaram pressão sobre os membros da FIFA para votarem a favor do Qatar.
A France Football ainda acrescentou que Garcia vai visitar a Rússia e Qatar no início de 2014, antes de apresentar um relatório a Hans-Joachim Eckert, Presidente do braço judicial do Comitê de Ética da FIFA. Uma decisão é esperada para somente depois de março ou abril do ano que vem, no mínimo.
Acho que tudo isto não vai dar em nada, aliás, como sempre, saem os rumores, rufam os tambores, mas, no final as coisas continuam como sempre. O futebol mundial continua como o nosso, sem transparência, com continuísmo, quem lá está não quer sair e quem entra não faz nada para mudar.

Fonte: Soccerex. Comentário: Roberto Queiroz.

The chief investigator of FIFA’s Ethics Committee, Michael Garcia, is set to commence a tour of all countries involved in the bidding process for the 2018 and 2022 World Cups as part of a probe into the award of the two tournaments to Russia and Qatar.
France Football magazine reports that Garcia, head of the investigative chamber of the Ethics Committee, will begin his tour in London on October 9. England, along with joint bids from Belgium/the Netherlands and Portugal/Spain, lost out on the 2018 World Cup, while Qatar defeated Australia, Japan, South Korea and the United States for the 2022 tournament. Garcia in March called on those holding evidence of alleged impropriety in the award of the 2018 and 2022 World Cups to come forward, adding that measures are available to protect their identity. It is understood he has already held a number of talks with individuals involved in the process of awarding the tournaments, but is now set to move his investigation into “a higher gear”.
“I will proceed with interviews in different places and I hope that those who have information, even if they’re under no obligation to transmit it, will accept to talk to me,” said Garcia, according to France Football. “There are those who give me information voluntarily because they want the enquiry to make progress. Others are obliged to co-operate because of their role in the candidature or their official role within football. My aim is to deliver a report that covers the bidding process and the attribution of the tournaments.”
FIFA last month came under further pressure over the issue of the 2022 World Cup in Qatar after Football Federation Australia (FFA) called for financial compensation for the tournament’s bidding nations should the event be switched to a winter calendar slot. The comments came after the United States’ FIFA Executive Committee member Sunil Gulati stated that he is prepared to “rock the boat” and demand more time before making a decision. Gulati led the US bid that lost out to Qatar for the 2022 World Cup. FIFA’s executive committee is set to meet on Thursday and Friday to discuss whether to agree in principle to move the Qatar World Cup to winter. FIFA president Sepp Blatter last month claimed that European politicians put pressure on FIFA members to vote for Qatar’s bid to host the 2022 World Cup. France Football added that Garcia will also visit Russia and Qatar by the start of 2014 before presenting a report to Hans-Joachim Eckert, president of the judicial arm of FIFA’s Ethics Committee. A ruling is not expected until March-April next year at the earliest.
I think that all this will come to nothing, indeed, as always, come the rumors, drumming the drums, but in the end things continue as usual, nothing happens. The football world continues like ours, without transparency, with continuity, there are those who do not want to leave and who enters does nothing to change.